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Jubilado

O pensamento não se reforma.

A saudade

16.01.18

A saudade é uma mulher, é sempre uma mulher. Não faz sentido de outra forma. Está sempre impecavelmente bem-vestida, sempre no seu melhor, sempre como esperamos que esteja. A saudade é a melhor das mulheres, melhor do que todas as outras. Cheira ao cheiro do quarto pela manhã, cheira ela e a nós, tudo junto e misturado. Quando me deito ela vem comigo, eu vejo-a a entrar na cama, sem desmanchar os lençóis, e a virar-me as costas para que eu a vá abraçar e aquecer. Não lhe toco, mas viro-me para ela. Tenho adormecido a ver-lhe os cabelos, a ouvir-lhe a respiração que eu sei que está lá. Deixo-lhe o pijama dela na almofada, mas sei que não precisa. Quando sonho, vejo-a a olhar-me nos olhos. Não sei se é a saudade ou se é mesmo ela, mas olha-me nos olhos, e eu abraço-a. Acordo de seguida. A saudade já não está ali, comigo. Ela volta quando lhe apetece, ou quando me apetece. Volta quando tem de voltar. Pena ter de voltar tantas vezes.

Luís de Aguiar Fernandes

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