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Jubilado

O pensamento não se reforma.

O futuro que nunca virá já chegou

05.03.18

Levantar. Levantar mais por hábito do que por determinação. Mais do que recomeçar é obrigar-se a não ter opção. Ser negligente é fácil, mas paga-se caro no fim. Decidir é a competência que só depende de nós. O futuro que nunca virá já chegou. O empenhamento luta diariamente com a apatia porque a falta de vontade está sempre distraída com a preguiça. É normal. O dever é sempre uma coisa difícil e a realidade supera quase sempre qualquer ilusão.

A imaginação ainda me seduz, de vez em quando, embora a esperança seja traidora. Fugir à realidade também é preciso. É um defeito antigo. Sobreviver é o objectivo.

Crescem novas fantasias nas cinzas das velhas ilusões.    

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As desculpas não desculpam nada

04.03.18

As acções devem ser avaliadas pelas suas consequências, no entanto é difícil renunciar a certos defeitos. Todos julgam e ninguém está imune. É necessário subsistir.

As pessoas vão atrás de quem vence e de quem manda. Os bajuladores não conseguem conviver com a derrota assim como os mentirosos não conseguem existir sem as suas contradições. Os submissos não fazem a história, mas suportam e sustentam as vidas de muitos.

Por outro lado, a ambição é um vício. A busca da glória também. Ser apreciado pelos seus méritos é o resultado legítimo do uso do esforço e da inteligência perante os fracassos e os desafios. A ansiedade é constante, mas o prestígio é aliciante. Também é um tormento. A fama justifica e cobra. Os rivais são ultrapassados e a justiça não é uma inquietação. O instinto de posse prevalece. O efémero vence mais uma vez.      

As desculpas não desculpam nada.

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O perdão é a desforra

14.02.18

É complicado eliminar o sentimento de vazio e de culpa ou gerir as expectativas dos outros sobre nós. Interiorizamos pensamentos e mensagens que só nós ouvimos. Por vezes a vergonha e o medo controlam a consciência. Nem sempre podemos controlar o curso dos acontecimentos. Ficamos aprisionados ao passado que nos ultrapassou. No entanto o ressentimento é supérfluo e inútil. Devemos, e podemos diluir as mágoas para não cair em becos sem saída.

Quando dispensamos a nossa companhia precisamos alguém que nos acompanhe na nossa solidão. Não devemos por isso esperar nada de concreto, mas não devemos perder a esperança. O perdão é a desforra. Depois de qualquer noite surge sempre outro dia.     

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Saborear o insonso

14.02.18

Os acontecimentos na nossa vida são, na maioria, dependentes uns dos outros. Tudo tem um princípio e um fim. No meio desses pontos de partida aprendemos a gerir os nossos medos e expectativas. Enfrentamos desafios e constatamos que a alegria nem sempre nasce da realização de todos os nossos desejos. Conhecemos os nossos limites e aprendemos a aproveitar todos os momentos.

Quando o nosso corpo se sobrepõe à nossa mente ele molda os nossos pensamentos. O Ter e o Ser vão-se equilibrando mutuamente. Sabemos o que importa e o que é indispensável. Fugimos dos ciclos viciosos porque somos obrigados a parar. Vamos ficando mais atentos e despertos para o banal dia-a-dia. Saboreamos o insonso como se fosse uma iguaria. O exterior por vezes passa a ser irrelevante. Temos consciência que os dias estão nas nossas mãos e as oportunidades também. Somos gestores credenciados do que nos acontece.     

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Os nossos sentidos fazem compras

08.02.18

O ser Humano. O ser desejante. Impacientes e sedentos. Cobiçamos a paz, o bem-estar e o poder. Desejamos a posse. Os nossos sentidos fazem compras na descontente sociedade de consumo. O luxo foi democratizado. O mundo empresarial ampliou os apetites, os erros de raciocínio e o vazio. Como os desejos são insaciáveis, e devoradores, a satisfação plena nunca é obtida, mas a sua procura nunca é prescindida. Em busca da plenitude amealhamos, investimos e armazenamos.  

As drogas ou o álcool são a manifestação exemplar da força do desejo. O desejo é insuportável, no entanto é irresistível. Os desejos são urgências. O álcool e as drogas entram no corpo descerrado de quem quer ser agarrado na procura da tranquilidade de espírito.   

Desejo, prazer e anestesia dão as mãos, serenam os apetites e preenchem a insatisfação da alma.

Nem que seja por um instante surge o encanto outra vez.   

 

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O melhor é não fazer nada

08.02.18

Quando é que é suficiente?

Ansiedade. Stress. Desorientação. Irritação. Falta de sono. Desilusão. Um ciclo vicioso. Na medida do possível o melhor é não fazer nada. Absolutamente nada. Parar simplesmente. Criar limites. Parar para prosseguir.

Talvez assim se possa adquirir uma maior consciencialização do que se passa ou de quem somos. Perceber os fundamentos desta vida. Recordar o que é importante. Reparar no que está à frente do nosso nariz. Dominar o medo. Abrandar na solidão. Reorganizar as prioridades. Redescobrir o entusiasmo. Ser novamente livre para descobrir apenas a verdade.

Parar, ás vezes, é a resposta. É a solução.

Parar é deixar de fugir de si mesmo.  

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Foi bom enquanto durou, não foi?

06.02.18

“As relações de qualidade acarretam muito trabalho. A vida não se mede pelas vezes que respiramos, mas pelos momentos que nos cortaram a respiração”. Pois...

Vamos ser felizes para sempre. Não consigo imaginar a minha vida sem ti. O amor é mágico e eterno. Tudo é perfeito e funciona sem esforço. Mas espera, não tinha reparado neste pormenor… Bem, ninguém é perfeito.     

A falta de criatividade e de diálogo nas relações é um hábito. A falta de espontaneidade e falta de sentido de humor incomoda. As prioridades alteram-se. O silêncio instala-se. Os pontos em comum escasseiam. Precisamos de um tempo. Preciso de espaço. Não sou ouvido. Já não quero saber. Tudo se torna muito sério muito depressa.

Foi bom enquanto durou, não foi?

Pois…

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A lógica precisa de ser equilibrada pelo absurdo

06.02.18

A Intuição é um fenómeno irracional não explicada pelo intelecto. A intuição é algo que vai acontecendo. Negada muitas vezes pela razão advém de algo que nem sempre pode ser conhecido. Sem conexão com a realidade, compreendida pelos sentidos, nasce por instantes a arte, o talento e a criatividade.  

A intuição é bela, perigosa, justa e arriscada. Reveladora e inata. Sem preconceitos a intuição é natural. Traz significado e respostas a uma existência problemática dominada pelo intelecto. Alcançar o inatingível exige renovação. A imaginação ilógica cria os sonhos e constrói ao mesmo tempo a verdade. A razão clarifica. A intuição transcende.  

A lógica precisa de ser equilibrada pelo absurdo. Quando a razão falha a intuição funciona.    

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Monstro sem cabeça

30.01.18

Há apenas um século a política do Estado era preponderante. A opinião das multidões era irrelevante. Actualmente as exigências das massas são fundamentais e muito nítidas. No entanto as suas reivindicações nem sempre são racionais. São motivadas pela sua propensão para a acção imediata e pela sua desmesurada força. A tirania dos opressores é semelhante às exigências das multidões.

O poder das multidões não para de crescer. Muitas vezes brutal e inconsciente esse poder transformador é também ele destruidor. A falta de perspectivas num futuro próximo cria uma desordem de consequências imprevisíveis. As multidões podem ser heróicas e virtuosas ou podem ser criminosas. Quem, inconscientemente, domina as multidões também não quer ser governado por elas. Os impulsos são subjugados pelas emoções. A multidão é um monstro sem cabeça.

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A paciência torna fútil a melancolia

30.01.18

Quando abandonamos as nostalgias, o desespero e a ansiedade albergamos o presente. A paciência torna fútil a melancolia. A paciência ensina. A viver. A viver inacabado. A ultrapassar a monotonia dos dias. A suportar o insuportável e a decepção. Na revolta e no sofrimento. A tentação e o desejo. Paciência. Paciência.

A paciência não é um fardo. É um dever. O desejo de deslumbramento é uma fantasia tão persistente como inútil. Esquecer o mundo e as decepções é natural. A existência é dura e a miséria é predominante. Paciência. Paciência.

A paciência é uma virtude que dá tempo ao tempo. Tempo para ele amadurecer. Faz-nos prestar atenção aos detalhes. A valorizar as coisas. A enfrentar as dificuldades.

A paciência antecipa o fim e enfrenta-o sem olhar a nada. A força daquele que se anima torna tudo possível. Não estamos sós e sabemos disso. A busca do sentido é uma viagem muito comprida.   

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