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Jubilado

O pensamento não se reforma.

Os computadores estão cada vez mais inteligentes

01.06.18

A generalização da futilidade e a propagação da bisbilhotice dizem que é atribuída ao ócio que se foi instalando depois das privações da segunda guerra mundial. Hoje vigora a supremacia das imagens passageiras. Estas venceram indiscutivelmente as ideias porque a forma é sempre melhor que o conteúdo. A publicidade cria modas inconstantes de aparência e de diversão. As pessoas não têm memória, consciência e remorsos. A novidade, seja ela qual for, é sobrevalorizada. A informação é superficial, obviamente, porque está concentrada no espectáculo que se pretende que seja diário, abundante e quanto mais escabroso melhor.

Os computadores estão cada vez mais inteligentes, mas as pessoas estão cada vez mais estúpidas. É a civilização do espectáculo.

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A dor é como o vinho

24.05.18

A engenharia da conduta é criadora de conhecimento e faz-nos crescer com as dificuldades. A ordem, a perseverança, a vontade e a motivação minimizam os fracassos e valorizam os sucessos. A felicidade não é um estado perfeito e permanente, mas sim um balanço positivo da existência. Contudo a personalidade depressiva é permanente e duradoura porque desde sempre o pensamento foi, e continua a ser, negativo. O difícil foi sempre mais preponderante que o fácil porque, na sua mente, os aspectos negativos são sempre superiores aos positivos.

A alegria está a cima do prazer, mas abaixo da felicidade. A doença da tristeza provoca desencanto, falta de ânimo e frustração.  A vontade é a capacidade de adiar a recompensa, mas quando não se tem ânimo não se tem vontade de fazer nada. O aborrecimento e a intensidade da indiferença são quase insuportáveis.

A felicidade consiste em ter metas. Quem não as tem deixa de ter expectativas e assim corre o risco de ficar aprisionado ao passado. Há uma ruptura com o mundo exterior porque a depressão alimenta-se a si própria através da apatia e do isolamento. É o triunfo da passividade.

A dor é como o vinho. Pode ser estimulante se for bebida em pequenas quantidades, mas quando se ultrapassa um certo limite a dor pode embriagar-nos e aprofundar negativamente a realidade.

Eu deixei de beber, quando encontrei o limite do desespero e do vazio. A esperança é o verdadeiro sustentáculo da vida que resulta da confiança que possuímos em nós próprios.

A existência sempre foi uma soma de projectos.  

 

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Aos incapazes de olhar para além de si

23.05.18

Pessoas que são mentirosas compulsivas e mentem em qualquer tipo de relação para manter o seu mundo intocável. Pessoas que fazem tudo para evitar reconhecer as suas próprias falhas, as suas limitações, as suas dificuldades ou os seus erros. Pessoas que usam sempre o outro para atingir os seus próprios fins. Pessoas controladoras que não suportam perder. Pessoas que sofrem de inveja patológica e que por isso denigrem a imagem daqueles que cobiçam. Pessoas que são incapazes de identificar e de compreender o estado de espírito daqueles com quem se relacionam, sejam as suas emoções ou os seus sentimentos. Pessoas que olham sempre para os outros como objectos e nunca sujeitos. Pessoas que não possuem juízo crítico, mas que nunca hesitam em culpabilizar sempre os demais. Pessoas que manipulam situações de acordo com seus próprios interesses, mesmo que em jogo estejam também as expectativas de outras pessoas. Pessoas arrogantes e prepotentes. Pessoas que acreditam terem consigo toda verdade.

A essas pessoas dedico esta frase memorável retirada do célebre livro O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry.

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A única solução

28.04.18

Não se pode viver sem esperança mesmo quando não se percebe o que está a acontecer. Mesmo quando o que nos motivava já não seja tão interessante ou os pensamentos pesem mais que o próprio corpo. Mesmo quando a frustração não para de crescer e atingimos o cúmulo da apatia. Se a tristeza é permanente e a irritação é constante, paciência. As emoções são livres e a resignação sempre é uma forma menor de desespero. A instabilidade emocional é garantida e tudo aquilo que não aceitamos torna-se mais forte.

Antes de ser fácil tudo é um problema. A paciência é mesmo a única solução para os males que não têm solução.

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Viver as nossas melhores possibilidades

16.04.18

A idade pacifica. Ninguém amadurece sem sofrer. Pensamos antes de falar e temos segurança na insegurança. Aprende-se a dizer NÃO e a darmos prioridade a nós mesmos. O passado agora está bem arrumado nas gavetas da nossa mente e convivemos melhor com a nossa desorganização interna. Procuramos mais o sossego e encontramos mais a paz quando vergamos a impulsividade.

Fazemos mais pelas soluções do que pelos os problemas. Não planeamos rotas porque nos limitamos apenas a caminhar. Não esperamos as melhores oportunidades porque estamos a viver as nossas melhores possibilidades. Aceitar, simplificar e enfrentar é um hábito.

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Quero apear-me já aqui

28.03.18

Acreditamos estupidamente que somos donos do tempo e do espaço. Circulamos a alta velocidade pelas autoestradas da informação e sem sair de casa fazemos quase tudo, virtualmente. Num mundo em que quase ninguém se toca literalmente, e que fica cada vez mais doente por essa razão, investimos pouco emocionalmente. Negociamos racionalmente e apostamos em áreas de bem-estar de baixo risco.

Há dias que desejo profundamente que a Terra pare o seu movimento de rotação. Quero apear-me já aqui.

 

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O medo é uma ilusão enquanto não se enfrenta

09.03.18

Somos possuídos por coisas que nos ultrapassam. Certos sentimentos não se entendem. Sentem-se. São reais porque se podem confirmar através dos sentidos. Não são casuais. A passagem do tempo apenas os torna mais fortes.

Assim nasce a obsessão que se alimenta do desespero e do tempo. Mesmo sendo disciplinado não podemos controlar as nossas emoções, mas somos responsáveis por elas. Criamos o que vivemos sob a forma de sentimentos, pensamentos ou imagens. Na nossa imaginação.

No entanto, se conhecemos as nossas crenças e se somos responsáveis pela nossa vida possuímos o intelecto e a sabedoria para recuperar as respostas que estão ao nosso alcance.        

Somos propensos a errar. O medo é uma ilusão enquanto não se enfrenta.

 

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Ignorar o óbvio

05.03.18

Dizem que o egoísmo concentra todos os afectos em si próprio. Já olhei com repugnância para os egoístas. Hoje em dia apenas os ignoro. Aliás, a realidade centrada no interesse pessoal que não se coloca em bicos de pés, e não prejudica ninguém, acho mesmo saudável e necessária. Um carácter forte nem sempre pede desculpa porque não é sempre robusto. O orgulho e a teimosia fazem o resto. Obstinados e cegos com a imagem que possuem de si próprios ceder apenas pode ser uma fraqueza obviamente. Reconhecer os seus erros não é fácil, mas revela dignidade.

É compreensível ser distante e intolerante, mas devemos aceitar os defeitos dos outros. O medo de ser novamente magoado prevalece, mas torna-se num tormento e num castigo para quem vive ao seu lado. Ocasionalmente surge alguém menos mau e percebemos também que não somos tão bons como presumimos.      

Quem é vítima do mal procura ajuda para o vencer.

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O futuro que nunca virá já chegou

05.03.18

Levantar. Levantar mais por hábito do que por determinação. Mais do que recomeçar é obrigar-se a não ter opção. Ser negligente é fácil, mas paga-se caro no fim. Decidir é a competência que só depende de nós. O futuro que nunca virá já chegou. O empenhamento luta diariamente com a apatia porque a falta de vontade está sempre distraída com a preguiça. É normal. O dever é sempre uma coisa difícil e a realidade supera quase sempre qualquer ilusão.

A imaginação ainda me seduz, de vez em quando, embora a esperança seja traidora. Fugir à realidade também é preciso. É um defeito antigo. Sobreviver é o objectivo.

Crescem novas fantasias nas cinzas das velhas ilusões.    

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As desculpas não desculpam nada

04.03.18

As acções devem ser avaliadas pelas suas consequências, no entanto é difícil renunciar a certos defeitos. Todos julgam e ninguém está imune. É necessário subsistir.

As pessoas vão atrás de quem vence e de quem manda. Os bajuladores não conseguem conviver com a derrota assim como os mentirosos não conseguem existir sem as suas contradições. Os submissos não fazem a história, mas suportam e sustentam as vidas de muitos.

Por outro lado, a ambição é um vício. A busca da glória também. Ser apreciado pelos seus méritos é o resultado legítimo do uso do esforço e da inteligência perante os fracassos e os desafios. A ansiedade é constante, mas o prestígio é aliciante. Também é um tormento. A fama justifica e cobra. Os rivais são ultrapassados e a justiça não é uma inquietação. O instinto de posse prevalece. O efémero vence mais uma vez.      

As desculpas não desculpam nada.

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